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Rendimento Passivo: uma forma diferente de se ganhar dinheiro... e, a meu ver, essencial

  • Foto do escritor: Francisco Raimundo
    Francisco Raimundo
  • 28 de mar. de 2020
  • 5 min de leitura

Bom dia para tod@s vocês. Tendo escolhido o sábado para escrever no blog, tudo farei para cumprir esse compromisso. O artigo que hoje me traz aqui será algo mais extenso, pela importância que tem e por se adequar perfeitamente à realidade que vivemos, desde há algumas semanas a esta parte. Peço pois, que possam ter paciência, mas leiam até ao fim, porquanto acredito ser de grande relevância.


Antes de mais, devo dizer que este é o artigo que, até agora, mais me custou a escrever, ou melhor, a reescrever, pois um contratempo inadvertido levou-me a digitar um comando qualquer que apagou todo o texto que eu tinha já escrito anteriormente... e não era assim tão pequeno. Todavia, como há males que vêm para bem, ao ter de fazer tudo de novo levou-me a uma nova estratégia em termos de procedimentos, e não querer escrever tudo de uma vez.


Queria também dar (escrevendo) uma palavrinha de apoio e motivação para todos, que certamente estão a levar a sério esta crise pandémica, evitando comportamentos de risco, totalmente desnecessários, tomando as medidas e procedimentos necessários para fazer face à situação que se vive actualmente no mundo. Evitem expor-se, evitem contactos pessoais (não é considerado falta de educação) e fiquem em casa, saindo apenas para o estritamente necessário. Desejo que todos possam superar estas privações da melhor forma, mesmo sabendo que não levará uma semana ou duas a passar e a regressar à normalidade.


No entanto, é a propósito disto que pretendo debruçar-me um pouco, hoje. A Covid-19 é um problema de saúde pública, tendo obrigado a um recolhimento e isolamento temporário das populações, chamado quarentena, e que, por força das circunstâncias será bem mais demorada do que aquilo que certamente muitos pensaram.


Talvez não seja já novidade para ninguém que os vários países do mundo estão praticamente todos parados, e as suas economias a precipitar-se para um abismo sócio-económico irreversível.


O impacto que esta pandemia está a causar é mais do que uma afectação da nossa saúde (e da dos outros). Ao "forçar-nos" a medidas preventivas de isolamento e recolhimento que, volto a referir, são absolutamente necessárias, estamos a travar ou a impedir uma economia de desenvolver o seu curso natural. Primeiro, porque nem todos têm possibilidade de converter o seu posto de trabalho para um ambiente remoto, de tele-trabalho ou trabalho doméstico, ajustando-se o melhor possível a estas novas condições.


Para os que podem adaptar-se, há o problema de não estarem conseguir fazê-lo, por razões várias, que não pretendo aqui partilhar, pois só vem dispersar a atenção para o que eu gostaria, sim de abordar no post de hoje.


Portanto, as empresas e os negócios, impedidos de laborar normalmente, vêem-se na contingência de fechar, pois os custos suportados por uma interrupção prolongada, e incerta no tempo (não se sabe até quando irá durar) são incomportáveis. Por seu lado, os próprios colaboradores e trabalhadores já sabem disto e deitam contas às vida, pelo que vivem em ansiedade, em desespero, entre a dureza da incerteza e o pânico de uma nova realidade futura, bastante mais dura do que a actual.


Certezas, contudo, podemos ter algumas:

  • Uma recessão tremenda está a avizinhar-se, não apenas pelos custos financeiros que esta pandemia está a gerar, como também pelo impacto negativo nas contas das empresas, e no mercado de trabalho


  • O comércio e as transacções comerciais terão uma componente electrónica cada vez maior, utilizando cada vez mais soluções baseadas na tecnologia e obrigando a uma reestruturação profunda na forma como empresas e estabelecimentos comerciais interagem com os seus clientes (e fornecedores). Consequentemente, os serviços baseados no sector secundário ver-se-ão igualmente forçados a reconverter-se, para se ajustar a essa nova realidade. Possivelmente, os serviços de distribuição terão aqui uma grande possibilidade de se expandir, estabelecendo a ponte entre as empresas/fornecedores e clientes


  • O trabalho, como forma unidade de produção, irá alterar-se profundamente. Muitos postos de trabalho serão reconvertidos, de forma a fazer face à mudança de paradigmas e estado de consciência que esta pandemia veio tomar (mais rapidamente do que a larga maioria talvez desejasse). É de esperar que, cada vez mais pessoas, passem a trabalhar em casa, e mais isolados, não só como forma de acompanhar a família, como também por razões sanitárias, de higiene, precavendo-se de riscos infecto-contagiosos. Isto pode trazer outras consequências, de impacto mais económico. Possivelmente, haverá aqui um argumento de peso para os empregadores baixarem os salários, pois os custos associados serão menores. Possivelmente, deixarão de haver outras regalias para os colaboradores das empresas, como seguros, como subsídios de refeição. Do lado das empresas possivelmente deixará de fazer sentido o pagamentos de taxas sociais


Sinceramente, eu acho isto fantástico e, para mim, olho para o futuro com entusiasmo, mas também expectativa; com bons olhos, portanto.


Devo dizer aqui que sempre fui um fervoroso adepto do tele-trabalho. Lembro-me quando via na televisão, ainda criança, programas exclusivamente dedicados ao ensino, como a tele-escola e a Universidade Aberta (em Portugal, estávamos nesse tempo em período pós-revolucionário, numa tentativa de instaurar definitivamente a democracia, coisa que até ali não havia no meu país). E eu ficava fascinado, sonhando com a possibilidade de um dia poder-se trabalhar à distância, sem ser necessário a presença física. Estou a falar muito a sério, podem crer!


E agora, a grande bomba, entrando assim no tema de hoje:

  • Ora bem, mas se a forma como se trabalha sofrerá profundas alterações, passando a ser mais desenvolvida à distância, o que poderá representar menos encargos para as empresas, então a forma como se ganha dinheiro também sofrerá profundas alterações, não vos parece?


A meu ver, precisamos deixar, de uma vez por todas, de ser pagos pelo tempo que despendemos a trabalhar (o que, aliás, é bem difícil de quantificar, em tele-trabalho), para passarmos a ser pagos pelo valor que criarmos. Tome-se como exemplo a situação actual em que a larga maioria de nós vive, refugiados em casa. Acham que essa maioria de pessoas está a trabalhar, ou pelo contrário, está a fingir que trabalha, pois os olhos e os ouvidos estão colocados o tempo inteiro nos meios de comunicação social e nas suas redes sociais, fazendo tudo e mais alguma coisa menos trabalhar?


Podem apostar que a produtividade dessa imensa mole de trabalhadores remotos (tele-trabalhadores) é próxima de zero.


Penso que, nesta época em que vivemos, já sabemos que criar um rendimento financeiro sem exercermos grande esforço, é o sonho de todos. Afinal de contas, trabalhamos para ser pagos, ou somos pagos pelo trabalho que realizamos? Penso igualmente que, quem trabalha para ser pago, está a prostituir-se e prostituição ainda não se encontra legalizada. E olhem que eu sou a favor da sua legalização, pois, sendo uma transacção comercial, deveria pagar imposto (IVA e rendimentos). O impacto económico disso seria grande, em termos positivos. As consequências mais directas seriam também benéficas, em termos de saúde pública, apenas para dar um exemplo.


Portanto, se o rendimento for uma medida de valor e produtividade (e é, de facto), quanto melhor trabalharmos, em termos de eficiência e produtividade, maior será o rendimento a criar. Mas se o trabalho for predominantemente executado à distãncia, estando nós cada vez mais satisfeitos, com um bom e saudável equilíbrio emocional e um bom ambiente familiar, iremos trabalhar melhor ou pior? Iremos querer entregar e acrescentar mais valor ou não?

Então, é ou não perfeitamente óbvio que o rendimento passivo, isto é, recebermos pelo valor que acrescentamos, sem que tenhamos de exercer esforço para o criarmos é, não só importante, como também essencial? E uma perspectiva extraordinária, não acham?



A pergunta que se coloca, no entanto, é:

  • Como acrescentar valor? O que temos nós, trabalhadores remotos, de fazer, para termos mais valor e criarmos ou distribuirmos mais valor?


A resposta ficará para a próxima publicação, de forma a não tornar esta demasiado extensa. Espero que gostem desta. Fiquem bem e acautelem-se com o Covid-19. Defendam-se, isolando-se, evitem comportamentos de risco, e defendam também os vossos entes mais queridos. Se tiverem crianças, filhos pequenos, não se esqueçam de que eles são um grupo de risco. E alerto que os idosos são os mais vulneráveis, pelo que recomendo cuidados redobrados com eles. Defendam-nos, pois eles um dia também vos defenderam, como pais e avós.


Até breve,

FGR

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